Mormonismo – É Possível Se Batizar pelos Mortos?
A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecida popularmente como os Mórmons, é um movimento fundado em 6 de abril de 1830 por Joseph Smith. Ele afirma ter tido uma experiência em sua juventude, onde, em busca da “verdadeira igreja”, recebeu uma visita divina do Pai e do Filho, aconselhando-o a não se filiar a nenhuma das denominações cristãs existentes, pois a igreja verdadeira não estaria mais na Terra. A partir disso, Smith fundou sua própria igreja, que viria a adotar como base doutrinária não só a Bíblia, mas outros livros específicos: Livro de Mórmon, Doutrinas e Convênios e Pérola de Grande Valor, considerados por eles como escrituras padrão.
Os ensinamentos presentes nesses livros não só divergem, mas também acrescentam novas revelações e práticas que não são aceitas pelas igrejas cristãs tradicionais, que se baseiam exclusivamente na Bíblia. Um dos pontos mais controversos é a prática do batismo pelos mortos. Os Mórmons acreditam que é possível, e necessário, realizar batismos em nome daqueles que já faleceram, com o intuito de garantir-lhes uma oportunidade de salvação. Essa doutrina, para as igrejas tradicionais, não possui fundamentação bíblica e é considerada como uma das várias inovações que o mormonismo introduziu.
Além do Livro de Mórmon, outras publicações como Princípios do Evangelho detalham e fundamentam as práticas e doutrinas adotadas pelos Santos dos Últimos Dias. Na página 52 desse livro, por exemplo, é mencionado que a igreja reconhece como escrituras não só a Bíblia, mas também os outros três livros mencionados anteriormente. Eles também aceitam as palavras dos profetas vivos como escritura. Essa pluralidade de fontes revela um distanciamento das doutrinas cristãs tradicionais, que são baseadas exclusivamente na Bíblia.
Dentro desse sistema doutrinário, os Mórmons são ensinados a acreditar que sua igreja é uma restauração da verdadeira igreja de Cristo na Terra, visão que se apoia em suas próprias escrituras e nos ensinamentos de Joseph Smith. Na literatura mórmon, há relatos e ilustrações que retratam Smith em dúvida sobre qual igreja seguir e recebendo a visita de Jesus e do Pai, o que o teria conduzido à fundação da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em 1830.
Essa doutrina contrasta fortemente com passagens bíblicas que, segundo as igrejas tradicionais, afirmam que Jesus estabeleceu a sua igreja de forma inabalável. Um exemplo citado é o evangelho de Mateus, onde Jesus pergunta aos seus discípulos quem eles pensam que ele é. Pedro responde que Jesus é o Cristo, o Filho do Deus Vivo, ao que Jesus responde afirmando que sobre essa verdade sua igreja seria edificada e que as “portas do inferno” não prevaleceriam contra ela. Isso indicaria que a igreja de Cristo é duradoura e inabalável, diferentemente do que o mormonismo sugere, ao afirmar que a igreja verdadeira deixou de existir até a fundação da sua própria organização.
A análise linguística do grego reforça essa interpretação. Em Mateus, Jesus usa a palavra “Petros” para se referir a Pedro, que significa pequenos fragmentos de rocha, enquanto usa “petra” (pedra grande) para se referir à base sólida sobre a qual edificaria a igreja. Essa distinção é vista pelas igrejas tradicionais como uma ênfase de que a igreja seria fundamentada na fé e na pessoa de Jesus Cristo, e não em Pedro ou em qualquer instituição humana.
Os relatos mórmons sobre a aparição do Pai e do Filho a Joseph Smith também contradizem o que a Bíblia diz sobre a natureza invisível de Deus. Na doutrina cristã, Deus Pai nunca foi visto por nenhum homem. As visões mórmons, portanto, apresentam um cenário que se distancia da ortodoxia cristã e sustentam suas práticas e crenças em doutrinas exclusivas do movimento, como o batismo pelos mortos.
Para a maioria das igrejas tradicionais, essas divergências reforçam a caracterização do mormonismo como um movimento sectário, uma vez que se baseia em interpretações e revelações que vão além das Escrituras canônicas e adicionam práticas que não encontram suporte na Bíblia.



















